Junta de Missões Nacionais

Junta de Missões Nacionais da IPB


Plantando Igrejas Presbiterianas pelo Brasil

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Campo Missionário de Joaquim Gomes – AL Perseverança e coragem

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Chegamos à cidade de Joaquim Gomes no dia 22 de janeiro de 2012. Apesar de ser uma cidade pequena não podemos dizer que ela é pacata ou calma, muito pelo contrário, está sempre nos noticiá-rios. De 2010 até 2014 a cidade ocupava o ranque nada agradável de ser a mais violenta do Brasil. E nós comprovamos isso na manhã seguinte da nossa chegada, por volta das oitos horas da manhã nos assustamos com um forte tiroteio no bar que ficava ao lado da nossa casa. Bem, estes tiroteios eram constantes, tivemos vários cultos interrompidos, e presenciamos muitas mortes. Uma que me impressionou foi de um jovem a quem eu acabara de dar uma literatura e falar de Cristo. Quando saí para falar com outra pessoa a três metros de distância, ele foi alvejado por vários tiros.

Como estávamos iniciando um trabalho pioneiro se fazia necessário desenvolver algo que fosse estratégico no sentido de mostrar que havia uma nova Igreja na cidade, e que essa Igreja se preocupava com a vida deles. Primeiro fui a Prefeitura num dia em que estavam reunidas as secretarias com o novo prefeito e me apresentei como o pastor da cidade e estava ali para pedir permissão e iniciar uma série de palestras em combate a violência e as drogas nos colégios do município, visitar outros departamentos, deixar um Novo Testamento nesses locais e dar uma palavra de orientação e conforto. A proposta foi muito bem aceita e começamos com as palestras nas escolas nos três períodos. Sem que nós pedíssemos os programas de rádio e blogs divulgaram muito o trabalho com elogios.

Realizamos semanalmente visitas no hospital e na delegacia. De-pois de um período de um mês resolvemos marcar o primeiro culto em nossa casa. Pelas promessas da quantidade de pessoas que prometeram estar presentes, eu temia que não coubessem em casa. Foi num sábado. Para termos um culto bem organizado, convidei uns ir-mãos da IP do Farol da capital Maceió, eles chegaram, mas da cidade não veio uma só pessoa, e isso se repetiu por quatro longos meses. O momento mais marcante deste período foi quando minha amada esposa em um daqueles cultos que só éramos eu, ela e Miguel, ela me olhou com os olhos marejando em lágrimas e me perguntou: “Não virá mais ninguém?”, ao que respondi: “Minha querida, no tempo certo eles virão”.

Mudamos o foco e começamos a investir no trabalho infantil, e o resultado foi imediato. Logo tínhamos a casa cheia das crianças e os adultos na sequência.

Após um ano de trabalho, muitas visitas e estudos, sentimos a necessidade de um espaço maior visto que as reuniões eram em nossa casa, e como não dava para acomodar todos na sala, nos reuníamos no quintal. Conseguimos um bom espaço onde funcionava um mercadinho, que ficava bem próximo de onde morávamos na rua principal, só que não sabíamos que iríamos enfrentar ali uma grande prova: é que na rua em frente ao prédio que alugamos tem uma viela, “um beco sem saída”, que dá acesso a onze casebres; em dois deles funcionava a principal boca de fumo da cidade. Eles estavam em guerra com outro grupo do bairro Cacimbas. Por conta disto havia constantes conflitos, muitas correrias, culto interrompidos, muitas crianças não vinham mais porque os pais não permitiam, com razão. Nossos vizinhos e nós estávamos sofrendo outros constrangimentos, pois os traficantes, batiam nas portas a qualquer hora da madrugada pedido comida e dinheiro. Então resolvi tomar duas providencias: começamos a fazer cultos familiares nas casas com ênfase na oração para que DEUS nos ajudasse e entrar pessoalmente lá na “boca” de fu-mo. Lembro-me bem, fui com minha cunhada Sheilla, missionária que convidei para nos ajudar e ser uma companhia a sua irmã que a essa altura já não queria mais ficar nesta cidade. Chegando lá nos deparamos com doze viciados, todos na faixa etária entre treze e dezessete anos. Não havia nada da inocência ou beleza comum aos jovens, seus rostos eram sombrios e o ambiente pesado; pedi permissão para me aproximar e preguei o Evangelho, advertindo-os que se eles não mudassem de vida, e não deixassem de apavorar a comunidade, eu e os irmãos iríamos orar por providencia divina, e que DEUS não os pouparia, e seus inimigos prevaleceriam sobre eles. Saímos daquele lugar com convicção do agir de Deus. Em quinze dias a “boca” acabou e infelizmente dezoito jovens morreram.

Que Deus tenha misericórdia desta cidade e nos abençoe com sabedoria para que possamos continuar levando o evangelho, capaz de transforma vidas.

Rev. Mário Jerônimos da Costa

2017-03-20T17:24:51+00:00