É uma cidade muito jovem. E-mancipada há mais ou menos dez anos. Sua economia gira em torno principalmente da cultura da soja e gado de corte. É o primeiro e maior assentamento de agricultores “sem terra” do Brasil. Sua população é predominantemente constituída de pessoas oriundas do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Têm costumes “fechados”, como por exemplo, a “roda do chimarrão, ou do Terêrê.” É um costume fechado porque não é com facilidade que se consegue ser introduzido nessas rodas; deve-se ser convidado pelo dono da casa, e, pelo que pude perceber até agora, “convidar-se” seria uma indelicadeza e não significaria que você estaria fazendo parte do simbolismo do ato, que é um ato de comunhão e intimidade com os donos da casa e sua roda de amigos.
Saímos de Campo Belo–MG, no dia 08 de janeiro de 2016 pela ma-nhã e após três dias de viagem, viajávamos de dia e descansávamos a noite chegamos a Itanhangá as 17hs do dia 10. Éramos três pessoas, eu, minha esposa Anela Maria de Souza e um membro da Igreja que viera para nos auxiliar na direção do carro. Fomos carinhosamente recebidos pelos irmãos e, como era domingo, já pregamos naquela noite.
A história da Igreja Presbiteriana em Itanhangá iniciou-se, há mais ou menos dez anos, na casa de uma família, que hoje não reside mais na cidade. Foi alugado um imóvel, onde a Igreja funcionou por algum tempo. Um irmão doou um terreno, onde a JMN edificou o templo e demais dependências onde hoje está sediada a Igreja. Construída para abrigar, no mínimo, 150 pessoas, o campo não passa por dificuldades financeiras e seus membros são dizimistas fieis e basicamente composta por sete famílias.
Com a graça do nosso Deus, temos trabalhado com os congrega-dos e levando alguns deles a regula-rizarem sua situação matrimonial, para que possam ser arrolados como membros da Igreja. Um fato relevante é que o marido de uma irmã, membro da Igreja, que há muito tempo frequentava a Igreja, sem tomar nenhuma decisão, re-solveu fazer profissão de fé e batismo, para o que está sendo preparado. Estamos discipulando e evangelizando aproximadamente 10 pessoas, inclusive um deles já tem participado dos cultos de adoração. Casos como esse renovam nosso ânimo e motivação.
Gostaria de citar o pai de um membro de nossa igreja, a quem comecei a visitar logo quando cheguei aqui. Após alguns meses, sem nenhum retorno da parte dele, seu coração foi tocado e agora ele está frequentando a Igreja. Isso foi mar-cante por dois motivos: 1- Ele é meu primeiro fruto aqui no campo. 2- A felicidade de ver seu linguajar mu-dando. Ele falava muitos palavrões e de um tempos para cá, tenho visto que ele está se refreando. É muito gratificante perceber que a mudança não está acontecendo de fora para dentro, mas, de dentro para fora.
Temos percebido um cresci-mento espiritual nos irmãos, ao ver mudanças em suas atitudes e forma de orar. O progresso que temos tido é na conquista da confiança dos membros da Igreja e de seus parentes, também dos que ainda não tomaram uma decisão por Cristo. Esta confiança é primordial, porque nos permite ter mais ousadia e firmeza no pastoreio e conquista dos mesmos.
Estamos na adaptação ao calor e à poeira. Como o sistema de saúde é precário e não existe médicos especialistas, quando há necessidade temos que ir à cidade vizinha, a mais próxima 120 km. No dia 10 de junho fui levar uma irmã, nova convertida para fazer uma consulta em seu filhinho deficiente de dois anos, e na volta capotei meu carro. Felizmente um milagre aconteceu, e das cinco pessoas que estavam no carro ninguém se feriu.
Meu pedido de oração é que Deus nos oriente e conceda os recursos financeiros para resolver esse problema do carro que aqui não é luxo, é necessidade; pois o sistema de transporte para outras cidades é muito precário, quase não tem ônibus.

Rev. Antonio Donizete de Souza