O que move uma pessoa a deixar o seu conforto e enfrentar o campo missionário? ou a dedicar ao menos dez por cento dos seus vencimentos com vistas à expansão do Reino de Deus? ou a consagrar ofertas missionárias? ou a se envolver nas atividades de sua igreja? ou a adorar dominicalmente a Deus, mesmo com tantas opções de lazer oferecidas pela sociedade?

Sempre haverá uma motivação, legítima ou não. Por exemplo, fazer porque os outros fazem, não é legítimo; fazer para receber os aplausos, também não é legítimo; ou fazer para conquistar o favor de Deus, muito menos. Porém, fazer por obediência à vontade divina, sim, é legítimo. No entanto, a obediência pode ser por medo das consequências da desobediência. Mais uma vez, eis uma motivação que não é legítima. O ideal é obedecer por amor ao reconhecer o extraordinário amor de Deus revelado em Cristo Jesus.

Acontece que mesmo essa obediência, mais cedo ou mais tarde, poderá sofrer reveses, oposições externas e internas. E quando essas oposições surgirem, como garantir a perseverança? A esperança que Deus jamais falhará garantirá a perseverança. Mas essa esperança também pode frustrar se você esperar pelo que pode ou não acontecer.

Explico. O que faz uma pessoa esperar o ônibus no ponto de parada? A certeza de que o ônibus virá. Mas, e se acontecer um acidente a alguns quilômetros do ponto que impeça a chegada do ônibus? Nesse caso, a pessoa poderá ficar horas no ponto, mas o ônibus só chegará depois que o impedimento for removido.

Assim, há pessoas que esperam em Deus, esperam uma cura porque obedecem, esperam uma promoção porque agem eticamente, esperam permanecer empregadas porque dizimam. Porém, no sistema em que vivemos, a obediência não é garantia de saúde, a ética não é garantia de sucesso profissional e o dizimar não é segurança de emprego. Entretanto, a obediência amorosa é garantia da comunhão com o Deus Todo-Poderoso, que sempre dá forças para enfrentarmos quaisquer desventuras.

Mas, ainda assim, há uma esperança que garante a perseverança das pessoas que obedecem a Deus por amor: a esperança pela volta gloriosa do Senhor Jesus Cristo. Paulo se refere a essa esperança quando se dirige a Timóteo com as seguintes palavras:

“Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, pelo mandato de Deus, nosso Salvador, e de Cristo Jesus, nossa esperança” (1Tm 1.1).

A certeza da volta de Cristo e os eventos que a acompanharão – principalmente a nossa ressurreição, o revestimento dos nossos corpos corruptíveis pela incorruptibilidade e o julgamento que será dirigido pelo justo Juiz, Jesus Cristo – garantem a perseverança de quem obedece a Deus por amor.

Espero que você tenha se lembrado de 1Co. 15 enquanto lia o parágrafo anterior. Sim, e é exatamente lá que Paulo registrou:

“Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem.” (vv. 19 e 20).

Paulo encerra esse capítulo celebrando a viva esperança que temos da nossa ressurreição declarando:

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.” (vs. 58.)

Por isso é importante você avaliar qual é a motivação para você ser um(a) missionário(a), ou dizimista, ofertante para missões, ou de se envolver nas atividades de sua igreja e ser assíduo(a) nos encontros do povo de Deus? Se você faz isso por amor, como uma resposta de gratidão pelo extraordinário amor de Deus revelado em Jesus Cristo, ótimo!

Agora, mais uma pergunta: você está preparado(a) para enfrentar os revezes da caminhada cristã? Em outras palavras, Cristo, a nossa esperança, é a sua esperança? Se sim, o que você espera dele? Lembre-se que ele pode intervir no aqui e agora curando, abrindo portas onde tudo parece sem saída ou retribuindo a sua fidelidade com bênçãos inimagináveis; ou não. Se não intervir, ele deve continuar sendo a sua esperança, pois a nossa esperança em Cristo não se limita a esta vida.

Faço minha as palavras do apóstolo Paulo: que “o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo.” (Rm. 15:13).

 


Rev. Carlos Henrique Machado – Pastor da IP Aliança e Diretor do Seminário Presbiteriano do Sul – SPS